3.12.05

Contando o Diagnóstico

Na quarta-feira, depois de quatro dias internado, meu pai teve alta do hospital e foi para casa tomando altas doses de corticóides, anticonvulsivantes e analgésicos. Antes da alta, nós lhe contamos parcialmente o diagnóstico. Sem usar as palavras tumor e câncer, procuramos enfatizar a gravidade da situação, mas, em momento algum, dissemos que se tratava de uma doença terminal. A reação de meu pai foi de uma calma que beirava a indiferença. Ele agiu como se aquilo fosse apenas de um mal transitório e sem muita importância.

Tenho dúvidas até hoje se agimos da maneira correta. Ao ocultar do paciente a realidade de sua doença as chances de que ele venha a colaborar adequadamente e intensamente com o tratamento acabam sendo muito prejudicadas. Em países do primeiro mundo, como os EUA, em função de potenciais problemas jurídicos, se o paciente tem condições de compreender, é obrigatório informar o diagnóstico correto. Se não fizerem isto, o médico ou o hospital podem sofrer severas penas. Da minha parte, acho este procedimento completamente correto, mesmo que em algumas circunstâncias pareça desumano. Informando corretamente o paciente, se permite que ele possa manifestar seus desejos em uma hora crucial da sua existência. Além disto, um paciente informado corretamente poderá ajudar com muito mais intensidade no tratamento, o que me parece obviamente mais humano do que os resultados da mentira ou omissão dos fatos.

Recentemente, de maneira bem enfática, comuniquei à minha esposa e a várias pessoas do meu convívio que, se um dia eu estiver na mesma situação em que meu pai estava, eu quero saber a verdade, mesmo que a verdade seja algo grave como a expectativa da morte em pouquíssimo tempo.

6 Comments:

At 20:37, Anonymous grace said...

como estáseu pai?recebi sua visita em meu blog....e fiquei honrada....Dias felizes pra todos

 
At 00:21, Blogger Miguel Francisco said...

Grace,
Embora, por falta de tempo, eu ainda não tenha relatado tudo o que se passou conosco, muita água já rolou desde o momento relatado no último post.
Para nossa felicidade meu pai está muito bem, mas isto não tira de nossa cabeça as perspectivas sombrias. Hoje, 05/12, faz exatamente 60 dias que ele foi submetido a cirurgia para ressecção do tumor. Atualmente ele está fazendo radioterapia e quimioterapia(com temodal ou temozolamida), seguindo os protocolos de tratamento aceitos para a doença. Além disto, gradualmente estamos introduzindo complementos terapêuticos. Mais tarde eu os descreverei aqui.

Obrigado por sua visita. Se puder volte sempre.

 
At 19:33, Anonymous Anônimo said...

Minha mãe, 65 anos, teve seu diagnostico (GBM)em fev.2006. Já passou por 03 cirurgias, a última a 50 dias. Infelizmente não tem indicação para quimio ou radio. Está com traquiostomia e se alimenta através da sonda enteral. Amanhã 03/07, estará de alta, já preparei seu quarto com todos os equipamentos hospitar necessários. Tenho muita fé, espero que Deus continue me dando forças para mais essa batalha, agora em casa.
Força para nós!
Maria Lucia Costa
Campinas - SP

 
At 19:36, Blogger Miguel Francisco said...

Maria Lúcia,
Muito obrigado por escrever. Há uma coisa que me chamou a atenção. Tenho visto que muitas vezes as pessoas me escrevem dizendo que o médico disse: “não tem indicação para quimioterapia ou radioterapia”. Pelo pouco que sei, o tratamento padrão para Glioblastoma multiforme inclui cirurgia mais radioterapia mais quimioterapia. Fico pensando se estes médicos não estão tentando economizar. Por curiosidade, você consultou uma segunda opinião?
Um Abraço.

 
At 19:34, Anonymous Anônimo said...

Olá pessoal eu sou nova neste ramo, faz apenas 20 dias q meu pai fez a remoção do (GBM) aparentemente ele esta bem, mais as vezes tem umas crises as quais a sua boca entorta e ele fica c/ dificuldades de falar...nos ficamos muito apreensivos na hora das crises pois não sabemos o q fazer...gostaria de saber se alguém mais sabe o q se trata isso se é normal...pois ele vai retornar esta semana ao Hospital. Agradeço desde ja sua atenção!

 
At 10:32, Anonymous Anônimo said...

Olá... à 9 meses atras eu entrei neste blog pois descobrimos que meu pai estava com Glioblastoma uniforme Grau 4 e se submeteria a uma cirurgia. Infelizmente no blog só havia depoimentos de pessoas que acabara de saber da noticia ou entao que tinha pouco tempo da doença e assim continuei com a duvida de como ela procederia. Por isso hj, depois de nove meses gostaria de relatar como foi tudo.
Quando nos informaram do tumor, meu pai estava ótimo,e com os seus 55 anos, nunca tinha tido nenhum tipo de doença e sua saúde estava perfeita. Foi um Choque claro, mas opitamos por operar. O médico não nos deu esperança, disse que era uma doença letal e sem cura. Revoltados ficamos com a frieza dele e não acreditamos. Por isso resolvemos tentar tudo para que o pior não acontecesse. Meu Pai fez 44 sessões de radioterapia e quando estava na segunda quimioterapia resolvemos que ele não faria mais nada daquilo. Após a cirurgia ele estava perfeito. Andava, dirigia, porém 1 mês depois começaram as convulsões constantes. No inicio era horrivel, mas depois foi se tornando normal. Em Seguida ele passou a ter dificuldades para andar. Dois meses após a cirurgia refizemos a tomografia e para supresa de todos o tumos havia se triplicado. Foi aí que vimos que o médico estava certo. 4 meses depois meu pai já não conseguia mais andar e passou a ter alucinações horriveis. Ele já não conseguia mais durmir à noite. Com 5 meses ele perdeu a visão e as alucinações diminuiram,porém ele perdeu a lucidez, já não sabia o q estava acontecendo e não conseguia formular uma frase completa sem se atrapalhar. Foi aí que nos arrependemos de tê-lo submetido à radioterapia e quimoterapia, já que só fizeram mal a ele. Hoje, após 9 meses ele está acamado, só movimenta o lado esquerdo, não encherga, só come comida pastosa ou liquida, não lembra de nada, mas nos reconhece ainda, tem dia que ele acorda bem, conversa e tudo e tem dias que ele fica calado como se já não estivesse mais aqui. Hoje percebemos que a doença não tem cura e é realmente muito letal, mas procuramos dar o maior amor que temos a ele e tentamos todos os dias nos preparar para perdê-lo, porém temos muita fé em Deus e que seja feita a vontade Dele. Hoje o meu pai toma a melatonina, hidantal, dexametazona, depakene, rivotril, plasil, omeprazol, suplemento alimentar, vitamina de A a Z e uma capsúla de calcio. Aos poucos nós fomos acostumando com a mudança e avanço da doença e aprendendo a lidar com ela, mas com certeza a fé de meu Pai nos conforta pois sempre que perguntamos a ele como foi o dia sua resposta é: Espetacular, muito bom, ótimo. Meu pai nunca está triste. ele sempre sorri e diz que me ama muito, muito mesmo. Isso com certeza nenhuma doença tirará de mim: O amor de meu pai e o exemplo de fé que ele nos deu. Ele sempre diz, até hoje que ele está junto de Jesus e está muito feliz. E sorrindo me diz que estará me esperando lá no céu!

 

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