29.5.06

Em que(m) acreditar?

por Christiane S. Silva (*)


Este artigo, por conta da humildade da Chris, foi inicialmente publicado como um comentário de autor anônimo. Percebendo a qualidade e tendo identificado o autor, pedi sua permissão para transformá-lo em um post. Acho que será útil a muitos que, como eu, passam pela angustia de ter que participar das decisões de tratamento de um ente querido.

Obrigado Chris.


E então a vida nos põe à prova. Alguém querido, um familiar ou amigo próximo está gravemente enfermo. Passamos a ser, muitas vezes, a pessoa que decide, ou que aconselha, que explica a situação....
Nos tornamos cuidadores, ou mesmo dividimos tarefas com os mais próximos, precisamos atenuar o sofrimento, e buscar mais rapidamente uma melhora do quadro geral.

Entregamos a saúde dessa pessoa querida aos cuidados de um corpo clínico de confiança, mantemos o lar mais tranqüilo e agradável (mesmo que para isso a nossa vida vire de ponta-cabeça). Passamos também a refletir mais, e a tentar entender uma linguagem que parece cheia de mistério. Uma novidade a cada dia. Buscamos entender e nos atualizar.

A questão é que muitas vezes a equipe que cuida do paciente nem sempre dispõe de tempo adequadamente longo para nos esclarecer tim-tim-por-tim-tim, que remédio é esse, porque tal dose, qual o efeito, o que pode comer...???.

Nos pegamos lendo bulas de remédios, livros de ciência, artigos científicos. Prestamos mais atenção às pessoas que também tenham a mesma doença e como estão se saindo em seus tratamentos. Das orações às benzedeiras, dos medicamentos aos chazinhos, que se não fossem bons não estariam até hoje fazendo realmente seus efeitos.

Pode parecer incrível, mas a Internet também é um excelente meio de divulgação de informações. Assim como muitas revistas especializadas também o são. A diferença entre uma revista especializada e uma revista científica é que a primeira traz ao leigo uma leitura compreensível, enquanto que a segunda traz a informação sobre trabalhos que vêm sendo desenvolvidos por cientistas, e cuja leitura será feita por outros cientistas....
Assim como o fármaco que cura difere daquele que previne...

Torna-se diário ouvir “olha eu ouvi dizer que tal planta cura tal doença..., porque você não experimenta?”

Tão banal como aconselhar para alguém que está com náuseas e vômitos, tomar um chazinho de boldo. Claro que o chazinho de boldo funciona, para distúrbios hepáticos, intoxicações alimentares...Mas vá dizer para essa pessoa que aconselhou, que esse vômito é de origem diferente, é de origem central, sim, do Sistema Nervoso Central, e nesse caso o chá de boldo não funciona. É preciso inibir o mecanismo que dispara o centro neural do vômito. Substâncias químicas presentes na própria quimioterapia, ou liberada pelas células que estão sendo atacadas pelo medicamento são capazes de provocar o Sistema Nervoso de tal forma que é impossível prever quando o “jato” virá... de maneira bem diferente de uma intoxicação alimentar... em que às vezes dá até tempo de prever e chegar até o banheiro ou de “pedir a comadre...” Então o medicamento utilizado para evitar uma desidratação importante, também é outro...

Muitos nutrientes presentes em alimentos podem realmente prevenir ou retardar o surgimento do câncer e de outras doenças degenerativas, podem melhorar o estado geral que uma pessoa que está sob tratamento de medicações e procedimentos pesados. Mas quais servem para quê? Quanto a pessoa deve ou pode ingerir?

Por isso, e mesmo por sugestão do meu amigo dono deste espaço, tomei a liberdade de tomar a palavra.

A sugestão é, em primeiro lugar, confiar na decisão do corpo clínico. O que não significa dizer “entregar-se cegamente”, vale a pena, sim, perguntar. Porque compreendendo melhor, podemos ajudar mais. Vale a pena questionar, buscar outras opiniões e experiências. Em várias áreas. Será que a medicina ortomolecular tem alguma novidade? Será que vale a pena modificar a alimentação? Será que devo conversar com o médico sobre este ou aquele procedimento, ou medicamento? Mas como vou conversar com o médico sem um conhecimento ao menos, adequado? O que eu poderia perguntar? Na consulta ficamos travados, chegamos em casa cheios de dúvidas....

E lá vamos nós buscar a leitura que conseguimos compreender.... Ou quase... Mas que pode ser uma informação distorcida, retirada de uma fonte de informação excelente (por exemplo, de uma revista científica de renome internacional, onde os autores são Pós Doutorados, vivem e respiram determinada especialidade)... mas esta informação pode chegar “filtrada” por seus patrocinadores, ou incompleta....

É como dizer que na Berinjela foram encontrados os mesmos aminoácidos essenciais (proteínas) que existem nas carnes.... e não citar que, para que sejam supridas as necessidades diárias recomendadas (RDA – recommended dietary allowances) desses aminoácidos, seria necessário ingerir em média cinco berinjelas inteiras de tamanho médio (que tamanho seria esse?), para compensar uma porção de carne.... ou podemos “acreditar” que uma berinjela substitui um bife em valor nutricional???... então vamos tomar cápsulas de berinjela concentrada.... mas...que contém qual teor de aminoácidos?
E assim, com outros nutrientes... quem não se lembra da jovenzinha que comeu tanta cenoura que ficou com as palmas das mãos pigmemtadas de laranja?

Alguns nutrientes podem realmente ser benéficos em alguns casos, e vale a pena fazer a suplementação, para fortalecer essa pessoa convalescente.
Só peço aos leitores critério, cuidado e parcimônia na escolha, para não sobrecarregar o paciente de cápsulas, pozinhos, tabletes, chazinhos, licores, garrafadas, a 3X4, de hora em hora. Muitas vezes um paciente não adere a um tratamento até mesmo em função da quantidade de comprimidos e picadas que ele já tem que tomar todos os dias...
E muitas vezes a família não busca a informação por não saber sequer se conseguirá entender... é claro que conseguirá!! Basta encontrar um intermediador de confiança. Alimentar-se bem, suplementar-se adequadamente, dependendo do caso, hidratar o suficiente, atualizar-se sempre, e manter a fé e a confiança de que esta é apenas uma fase difícil e que vai passar.

Só posso recomendar uma coisa, que repito sempre para mim mesma, como um “mantra”: Não perca o foco, não perca o foco, não perca o foco, não perca o foco......

(*) Christiane S. Silva é Consultora em Saúde, Biomédica, Nutróloga, Mestre e Doutora em Fisiologia Humana.

4 Comments:

At 20:07, Anonymous Anônimo said...

olá , eu tb estou nesta luta desde fevereiro deste ano, minha mãe de 65 anos já passou por 03 cirurgias, a última foi em 18/05/06, foram 28 dias na UTI, continua hospitalizada, porém no quarto, o que nos permite maior estimulo e muito carinho. O neuro
afirma que não há mais nada a fazer, so se for para a retirada toda do crânio. Nem mesmo a radio
ele afirma que irá resolver.
Ela continua tomando os medicamentos Decadron e trileptal , hidantal.
O médico trata, Deus cura, temos muita fé. Vou procurar um oncologista para outras informações que talvez possa me orientar, o que não aceito é cruzar os braços e esperar o pior.
Deus tem me abençoado muito, pois a cada dia me sinto mais fortalecida e com muita garra.
Boa sorte a todos.

Maria Lucia, campinas

 
At 22:54, Blogger Miguel Francisco said...

Maria Lucia
Felizmente para nós, em quase nove meses, foi somente uma cirurgia. Talvez pelo fato de que tenhamos começado com terapias complementares ainda no primeiro mês após o diagnóstico.
Imagino como vocês devem estar cansados e o desgaste de sua mãe, pois vi o quanto foi sofrido para todos nós a única cirurgia a que meu pai foi submetido.
Acho que o melhor que você pode fazer por sua mãe e, que com certeza trará resultados, é dar a ela todo o carinho e atenção que ela merece. Por outro lado, eu nunca me permiti desistir e acho que você deve fazer o mesmo. Na primeira semana depois do diagnóstico, conversei com dois médicos muito amigos meus e estes, falando aquilo em realmente acreditavam, me disseram com clareza que não haveria esperanças para meu pai e que deveríamos inclusive considerar a hipótese de não operá-lo. Por uma sorte eles estavam errados. Daqui a 6 dias completam-se nove meses do diagnóstico, meu pai está bem e sem sinais de reaparecimento do tumor.
Faça você a sua parte e deixe que Deus faça a dele. Não pare de buscar alternativas de tratamento. Quem sabe, você consegue contrariar o prognóstico como meu pai está fazendo até estes momento.
Boa Sorte a Vocês.

 
At 17:48, Anonymous Anônimo said...

Oi Maria Lúcia e Miguel Francisco!

Sei bem o que estão passando. Minha filha também tem tumor cerebral, foi operada, mas durante a cirurgia teve uma isquemia de Tálamo, hoje está em coma vigil. Há dois anos está em cima de um leito no hospital, mas não perco a esperança, tenho muita fé e procuro ter paciência sempre com todos. Fiquem em PAZ!! Abraços. Inez

 
At 21:58, Anonymous clara said...

olá sou clara...estava pesquisando alguns site....em q pudesse...tirar minhas duvidas.....n sei se estou no site certo....ou no link certo...

Mas eh pq tenho um amigo q ele tah com um tumor cerebral(maligno)começou pela garganta e se estendeu pra região da cabeça.. e alem disso ele tem a AIDS....
e os medicos ja disseram q o tumor eh terminal....e desenganaram..
so queria q vcs mim indicassem....um medico pra poder conversar....num sei so quero q meu amigo se recupere.As pessoas falam q tudo pra Deus eh possivel (acredito)....+ n quero ficar parada esperando .. entende...se eh terminal ou n, eu quero agir...e fazer o possivel e o impossivel.....pra ele se recuperar

Desculpa! qualquer coisa.....n sei se vai adiantar...
+ eu quero q alguem me ajude...
Ajude meu AMIGO....

ele a todo momento ele escreve no papel q quer viver...isso da um perto no coração...

se eu estiver no site errado...
quem estiver lendo isso....por favor entra em contato comigo...
claragaldino@hotmail.com

dai-me alguma resposta por favor...
mesmo q n seja positiva......

 

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