1.4.06

Ressonância Magnética: Tumor?

Mais trinta dias de angústia

Em 25/03 completaram-se seis meses que meu pai foi diagnosticado. Em 06/04 serão seis meses da cirurgia que retirou um glioblastoma multiforme de grau 4com aproximadamente quatro centímetros de diâmetro. Nesse tipo de doença são habituais exames periódicos da área onde havia o tumor, com tomografias computadorizadas ou ressonâncias magnéticas. O propósito de tais exames é acompanhar a evolução da doença e, neste tipo particular de doença, principalmente, verificar se o tumor está voltando a se formar, o que é chamado de recidiva pelo pessoal da área médica.

No fim de janeiro fizemos uma tomografia , que não encontrou nenhum vestígio de atividade da doença ou proliferação tumoral. Naquela ocasião perguntei porque não seria feita uma ressonância, que é o exame mais adequado. A resposta foi que, tendo em vista fazer muito pouco tempo do término da radioterapia, a radiação poderia inferir com nos resultados da ressonância. De toda forma, ficamos felizes com a ausência de indícios da doença.

A primeira ressonância de controle

Foi realizada em 28 /03 e o laudo expedido pelo instituto de radiologia é o seguinte:


LAUDO
RM CRANIO
PROCEDIMENTO:- realizado estudo multiplanar do crânio encefálico nas seguintes seqüências:
-Axial FLAIR
-Axial TSE ponderado em T2
-Sagital TSE ponderado em T1
Axial coronal e sagital “Spin-Echo” ponderados em T1, após o uso de contrate paramagnético.
-Difusão.
ACHADOS:
-Controle de evolução pós-operatório de glioblastoma multiforme da região temporal à direita.



Ao todo foram sete filmes contendo umas cento e cinqüenta imagens de segmentos do crânio de meu pai. Como é possível ver em “ACHADOS”, nada foi achado, mas infelizmente há motivo para preocupação.

Minha esposa, que é médica anestesista, conversou com o radiologista que fez o exame, o qual ela reputa ser um profissional de larga experiência e conhecimento técnico. Embora ele não tenha mencionado no laudo, na conversa, disse que encontrou algo que pode ser sinal de problemas. Ele chamou este algo de “PONTO DE HIPERSINAL”, é muito pequeno (milimétrico) e impossível de se ver nas chapas da ressonância, sendo visível somente no monitor do aparelho de ressonância, que pode ampliar muitas vezes a imagem. Na interpretação do radiologista, o tal ponto pode ter três possíveis origens: (1) algum trauma cirúrgico, (2) ser uma conseqüência da radioterapia ou (3) ser o início de uma nova formação tumoral.

Como não certeza do que seja o HIPERSINAL, não é possível ainda pensar em alterações de tratamentos ou novo procedimento cirúrgico. Caso venha a ser a pior das hipóteses, este ponto deverá se expandir com bastante velocidade e, num período curto de tempo, ser bem mais evidente. Assim, acertou-se que dentro de um mês realizaremos uma nova ressonância para verificar se há crescimento.
Até lá, nós rezamos e nos angustiamos.

8 Comments:

At 11:34, Anonymous Evelize said...

Olá E., muito interessante seu blog, li quase todo, um pouco difícil entender, pois não é da minha área, vc está de parabéns, vamos lutar para o seu pai ficar logo bom. Evelize

 
At 23:28, Blogger Miguel Francisco said...

Olá Evelize
Obrigado pela visita e pelo elogio ao blog. Volte sempre que possível.

De fato não é muito fácil de se entender, há inúmeros termos do jargão médico-científico dos quais e difícil de escapar. Assim, a leitura se leitura se torna um pouco pesada. Por fim, o assunto é mesmo muito difícil, como você bem sabe.

Quanto a lutar, eu já disse aqui que sou um cara extremamente teimoso. Quando entro em uma guerra vou até o ultimo tiro da ultima batalha. Pode estar certa disto.

Um abraço e obrigado.

 
At 19:32, Blogger juka said...

olá miguel francisco
estou curiosa e gostava de fazer uma pregunta.
seu pai fez biopsia antes da cirurgia?
no caso do meu filho o m´dico diz que não lhe retira o tumor sem antes conhecer a natureza do mesmo

 
At 14:04, Blogger Miguel Francisco said...

Olá juka

Peço-lhe imensas desculpas por ter demorado a responder os seus comentários, mas sei que você compreenderá, pois saber como é a vida de um parente de paciente portador de um tumor cerebral.

A primeira coisa que tenho para lhe dizer é que o prognóstico é sempre muito melhor em crianças. Assim, tenha bastante calma, dado que seu filho tem apenas 13 anos.

Uma segunda questão, extremamente importante, a considerar é que o tratamento de tumores cerebrais depende estritamente do diagnóstico do tipo de tumor. Existem uns trinta tipos de tumores, com diversos graus de malignidade e com uma grande variedade de tratamentos. O que serve para o tratamento de um glioblastoma multiforme pode ser muito prejudicial para o tratamento de um tumor de outro tipo. Se os médicos julgam que o tumor do seu filho está com ele desde o nascimento é porque ele deve apresentar características de baixa malignidade e, possivelmente, a biopsia deve ser o procedimento correto para estabelecer decisivamente o tipo.

Quanto as suas preocupações com os riscos da biopsia, o que posso dizer é que é um procedimento cirúrgico invasivo e, como tal, tem um risco sim, mas que deve ser mínimo.

Sobre o seu comentário relativo ao tópico "O sucesso sempre relativo em cirurgias para extração de tumores cerebrais" devo esclarecer que este tópico foi escrito considerando-se o caso de meu pai, que tem um tumor de alta malignidade. Em casos de tumores malignos, as poucas células remanescentes da cirurgia são capazes de proliferar rapidamente e compor um novo tumor. Felizmente não parece que seu filho tenha um tumor de alta malignidade.

Meu pai não fez uma biopsia antes da cirurgia, com seu filho fará. No caso dele (meu pai) o diagnóstico por imagens (tomografia e ressonância magnética) foi muito sugestivos de um tipo específico de tumor e, com isso, decidiu-se que o melhor seria realizar a cirurgia. Acho que seu médico está certo ao afirmar que é necessário conhecer a natureza do tumor antes de retirá-lo.

Agradeço seu interesse em participar do nosso grupo de pesquisas, mas acho que seria precoce você começar a considerar o tipo de alternativa que estamos a avaliar. Certamente você iria se impressionar de maneira muito negativa. Aguardemos o diagnóstico de seu filho e, se você quiser continuar a se informar sobre o assunto tumores cerebrais, há no blog muitos links e textos sobre o assunto em português e espanhol que podem lhe ajudar.

Por favor, volte a se comunicar conosco assim que souber o diagnóstico preciso.

Um abraço e Força!

Miguel

 
At 22:58, Anonymous Anônimo said...

Miguel a algum tempo contei minha historia,mas não achei resposta no blog,tenho astrocitoma grauIII,fiz radio após a primeira cirurgia,em 2004,agora em 2006 fiz outra cirurgia e fiz 6ciclos com o l,temodal,meu oncologista acha que devo fazer outro tipo de quimio,uma oral e injetável,estou muito confusa em relação a isso,estou indo consultar outro oncologista em são paulo,dr.Artur katz,para ouvir outra opinião,estava tão confiante no tratamento com temodal.mas não vou desistir,pois vejo uma luz no fim do tunel,com essa descoberta de desligar o rna da doença até que ea se cure,e vou lutar para ver essa descoberta em prática.Por favor se puder me dar uns toques,em relação a outros tratamentos,nós todos vamos vencer,essa cura vai chegar,Obrigada e parabéns pelo blog.

 
At 18:39, Anonymous larissa said...

oii, muito interessante seu blog, um tumor cerebral, realmente é um motivo de muita tristeza, mais se Deus quiser dará tudo certo para seu pai e na ressonância não vai dar nada,a mãe de uma grande amiga minha teve um tumor no hemisfério esquerdo do cérebro, fez uma cirurgiã que era pra durar nove horas e essa cirurgia só durou 2 horas, e depois da cirurgiã era pra ela perder seus movimentos e o médico deu a certeza de que esse tumor voltaria, mais nada disso aconteceu, ela tem todos os seus movimentos e o tumor não voltou, eu tenho estudado muito para me formar nessa area, pretendo ser neurocirurgiã, e salvar pessoas como seu pai.. Que Deus abençoe você para que tenha forças para enfrentar esse problema,e quando tiver mais notícias se comunique comigo, me interessei muito pelo caso de seu pai,
um abraço..

 
At 13:51, Anonymous Anônimo said...

olá Miguel...
tentei mandar recado varias vezes mais não tenho conseguido. meu pai tem o GBM e tenho obtido muita informação com o seu blog, que bom que temos vc nos ajudando continue assim...tbem vou torcer pra que encontremos a cura sim é só termos fé...
Que Deus nos abençoe
um abraço
adri

 
At 17:17, Anonymous Anônimo said...

Prezados amigos.
Ja faz 4 anos que tenho convulsões, nesses 4 anos fiz Tomografias(das quais o resultado foi tudo normal) e eletroencefalograma(tambem todos dando resultados normais), agora meu medico mandou eu fazer tomografia e estou com medo de que apareça um tumor, nesses 4 anos tive apenas 5 convulsões acredito que seja pelo fato de eu estar tomando uma quantidade reduzida de remedio abaixo do mínimo.
Pergunto a vocês se na tomografia ja teria acusado um tumor? Pq fiz uma tomografia a 4 anos atras e a ultima a um ano atras ambas deram normal , dado o espaço de tempo se eu tivesse um tumor ele ja apareceria na ultima tomografia não é?
A tambem não tenho os sintomas de tumor como dores de cabeça, vomitos perda de equilibrio, a unica coisa é que tive convulsões.

Por favor quem puder me ajudar aqui esta meu e-mail, ayresantunes@bol.com.br

 

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