17.12.05

O sucesso sempre relativo em cirurgias para extração de tumores cerebrais.

Embora, como já firmado em mensagem anterior, graças à destreza do cirurgião, podemos considerar que a cirurgia foi um sucesso, como veremos agora esse sucesso é sempre relativo.

Quando uma cirurgia para retirada de um tumor em outra parte do corpo é realizada, o cirurgião retira também os tecidos saudáveis em uma área em torno do tumor, isto é chamado de "Criar uma margem de segurança". A razão por que esse procedimento é feito é simples. Apesar de, em geral, o tumor ser facilmente identificável, ele está em crescimento e muitas células que já possuem características neoplásicas estão infiltradas nas áreas adjacentes ao tumor. Assim, retirando essas áreas, o cirurgião aumenta as chances de que o tumor não volte a crescer, crescimento esse que é chamado de recidiva. para exemplificar, podemos dizer a que, se um paciente tem um tumor com um 2 cm de diâmetro na coxa, o cirurgião retirará uma área de três ou 4 cm.

No cérebro é diferente...
O cérebro é composto, pode-se dizer, de material nobre. Pequenas áreas do cérebro quando lesadas podem causar grande estrago na qualidade de vida ou na perspectiva de sobrevivência do paciente. Por estas duas razões, em uma operação para a retirada de um tumor no cérebro o cirurgião é obrigado a trabalhar com uma margem de segurança mínima. Traduzindo, isso quer dizer que ele deverá retirar somente o material tumoral. Sendo obrigado a agir desta forma, por mais hábil que o cirurgião seja sempre restarão grande número de células tumorais. Para se ter uma idéia, supondo que durante a cirurgia 99% do tumor seja retirado, ainda é bastante provável que as células tumorais remanescentes sejam mais de um bilhão. Vimos no laudo do laboratório de patologia o seguinte: "CONCLUSÃO: TUMOR CEREBRAL:- GLlOBLASTOMA MULTIFORME, COM EX­PRESSÃO POR GFAP E ALTA ATIVIDADE PROLlFERATIVA”. Se juntarmos esta informação que destaca Alta Atividade Proliferativa das células existentes no material tumoral com o fato de que é possível que tenha restado bilhões de células após a cirurgia a conclusão é óbvia: há enorme probabilidade do tumor voltar.

O que torna um glioblastoma multiforme um tumor extremamente letal é a junção da dificuldade técnica existente na cirurgia como a alta atividade proliferativa das células e com o fato de que os medicamentos quimioterápicos aplicáveis serem poucos e de baixa eficácia.

15 Comments:

At 19:21, Blogger juka said...

olá Miguel Francisco

o meu filho com 13 anos possui um tumor cerebral diagnosticado há algumas semanas.
o médico pensa que é benigno, de crescimento lento e que está com ele desde o nascimento.
estamos à espera da marcação do dia para ser feita a biopsia.
estou com muita esperança que o meu filho curar-se-à mas ao ler "O sucesso sempre relativo em cirurgias para extração de tumores cerebrais" meu coração bateu forte... resta-me dizer a esperança é sempre a última a morrer ou enquanto há vida há esperança.
até sempre

 
At 20:04, Blogger juka said...

Afinal o médico depois de ter recolhido a opinião de outros colegas optou não pela biópsia mas sim pela remoção do tumor.

A cirurgia foi feita no hospital São João, no Porto, na passada 4ªfeira (12-7-2006).

A remoção não foi total pois parte do tumor estava em zonas importantes do cérebro o que poderia originar graves lesões.

Uma vez mais lembrei-me desta sua postagem.Ficaram lá células tumorais mas mais do que isso, um bocado do próprio tumor!

Uma primeira análise ao tumor e enquanto ainda decorria a operação deu como resultado: tumor benigno. Isto segundo os médicos.

Mas você considera que não existem tumores benignos. Porquê?

 
At 12:28, Blogger Miguel Francisco said...

Olá Juka

Fico feliz em ver você participando novamente do meu blog. Eu já havia lido no seu que a opção foi pela cirurgia. Parece-me, dentro de minha enorme limitação, que era a solução mais apropriada. O tecido tumoral não é mais cérebro, isto significa que ele não tem mais utilidade para o sistema nervoso, então para que deixá-lo lá? Acredito existir menores chances de complicação da forma como foi feito.

Espero que o João esteja bem e que logo possa se sentir uma criança normal e com toda felicidade que elas merecem.

A remoção parcial de tumores cerebrais é um fato comum. Tendo em vista a nobreza do meio circundante, sempre há limitações para a ação dos cirurgiões, que, como é óbvio, pode causar graves lesões. Assim, não se preocupe muito por este fato. Agora, suponho, ele passará por um tratamento complementar, que pode incluir radioterapia e quimioterapia. Mas estas definições só se estabelecerão após a tipificação precisa do tumor. Tendo em vista que ele foi considerado “benigno”, as terapias convencionais devem ser suficientes.

Você me pergunta por que considero que não existem tumores benignos. Acho que esta expressão é um eufemismo, isto é tenta suavizar a idéia substituindo a expressão por outra mais agradável, mais polida. Como pode um tumor, que é a destruição da estrutura normal do organismo, ser benigno. Não há bem algum nisto. O certo é falar em graus de malignidade. Em geral, quando os médicos falam de “benigno” estão se referindo a algo que tem baixo grau de malignidade.

Espero ter esclarecido a sua dúvida. De toda forma, mudar o nome que se dá a uma coisa não altera a sua essência e toda a sua preocupação e os cuidados que vejo estar tomando são justificáveis.

Diga ao João que espero vê-lo jogado na seleção portuguesa de 2014. (brasileiro só pensa em futebol e carnaval).

Um grande abraço e muita força!

Miguel

 
At 03:52, Blogger juka said...

Olá, Miguel Francisco!

O meu filho teve alta hospitalar no dia 20 de Julho e o médico disse-me que a operação tinha sido um sucesso e que clinicamente ele estava bem.

Da informação clínica que o médico fez por escrito e ao qual eu tive acesso, a cirurgia foi a um tumor intraventricular.

Na admissão apresentava-se consciente,colaborante, orientado e sem sinais neurológicos focais.

A remoção do tumor foi subtotal por acesso interhemisférico transcaloso.

O exame anatomo-patologico definitivo revelou tratar-se de neurocitoma central.

O pós operatório decorreu sem intercorrências. Manteve drenagem ventricular externa de segurança até ao 3º dia do pós-operatório.

No momento da alta hospitalar encontrava-se assintomático e sem alterações no exame neurológico.

A TAC cerebral de controlo não revelou complicações hemorrágicas ou hidrocefalia.

Veio medicado com: Lepicortinolo 20mg/dia até nova consulta; Omperazol 20mg ao pequeno almoço e Paracetamol em SOS.

Um abraço!

 
At 01:50, Blogger biajunqueira said...

Olá
Eu me chamo beatriz e minha mãe hoje com 64 anos, deve uma radionecrose cerebral segundo os medicos algo incomum de ocorrer (foi realizada uma cirugia para retirada da radionecrose que deixou muitas sequelas.
Gostaria de saber se conhece algo sobre o tratamento pos retirada de radionecre ou um lugar para que eu possa procurar.

Ps Parabens pela iniciativa
um abraço bia

 
At 09:29, Blogger Miguel Francisco said...

Oi Juka

Vi pelo seu blog que as coisas estão indo bem. Espero que o João fique completamente bom o mais breve possível.

Quanto ao seu post, tenho pouco a dizer. Ele é uma descrição técnica do que foi feito e dos achados, sobre o que, infelizmente, pouco posso opinar.

Um abraço.

 
At 18:20, Blogger Miguel Francisco said...

Olá Beatriz

Desculpe-me a enorme demora para responder ao seu post. Infelizmente não poderei te ajudar muito, pois não tivemos nenhum problema deste tipo. A radionecrose, pelo que sei, é sempre uma possibilidade presente. Pena ter acontecido com sua mãe. Pior ainda é a cirurgia para a correção deste problema ter causado seqüelas. Por curiosidade, essas seqüelas só apareceram depois da cirurgia? Quanto tempo depois da radioterapia ocorreu a necrose?

Acho que não há muito em específico para fazer com relação ao tratamento pós cirurgia de para retirada de radionecrose. Os procedimentos, imagino, deverão ser os mesmos que se aplicariam caso ela não tivesse acontecido e as seqüelas, na medida do possível, devem ser tratadas caso a caso.

Um Abraço e Força!

 
At 01:05, Anonymous karol said...

OLA,
quero dizer que estou na luta contra um tu cerebral ha 8 anos . Ja fiz 5 cirurgias, sendo 2 radiocirurgias e 3 cirurgias convencionais . Fiz 1 mes de radioterapia e 3 sessoes quimioterapia que durou 1 ano cada. Meu tumor cerebral e oligodendroglioma anaplasico grau lll .Estou com 28 anos ,nao sei se me resta muito tempo de vida ,ja nao tenho esperanca ,estou fraca . agora surgiu um novo problema ,tenho que tomar temodal ,mas o plano de saude nao cobre. Quais sao as primeiros providencias que devo tomar. Por favor me deem uma luz

desde ja agradeco

 
At 01:06, Blogger Miguel Francisco said...

Olá Karol

Imagino o quanto você já deve ter sofrido, mas pelo que você já leu aqui deve saber que eu não entrego os pontos e não vou admitir que você faça isto. Portanto, falemos sobre o que fazer.
1-Temodal: você consegue com relativa facilidade na justiça, tanto do plano de saúde como do governo. É mais fácil conseguir do governo (federal, estadual ou municipal, tanto faz.). Nós conseguimos em menos de 1 mês do governo estadual. Bastou para isto um bom advogado. Leia: Temodal (temozolomida) Gratúito

2-O êxito conseguido por seus médicos anteriores é, no mínimo, relativo. Você já pensou em trocar de médicos, se é que já não fez?

3-Oligodendrogliomas e Glioblastomas, acredito eu tem muitas similaridades. É perceptível que os pacientes com maiores sobrevidas são aqueles que lançaram mão de um grande número de recursos úteis e fizeram isto simultaneamente. Acho imprescindível você ler o material a que se refere este artigo: O melhor trabalho sobre tratamentos para glioblastoma multiforme.

4-Depois de ler, use tudo o que achar que deve, mas oriente-se com seus médicos, manifestando claramente o seu desejo. Não se importe com a descrença deles, o importante e só não se por em risco.

5-No Orkut há uma comunidade sobre glioblastoma, lá estamos tentando organizar uma tradução para o português do material citado acima.


Um abraço e grande força para você!

Miguel

 
At 15:56, Anonymous Anônimo said...

oi prara todos,eu precioso saber algo sobreoligodendroglioma anaplasico se alguem poder me imformar fico grata..meu email é martavargas@tknet.com.br

 
At 04:08, Blogger Miguel Francisco said...

Oi Marta

O oligodendroglioma é um tumor que se desenvolve em um tipo específico de célula da Glia, os oligodendrócitos, como o próprio nome já diz, ele também é um Glioma, assim como o Glioblastoma. Sei pouco sobre as razões que levam ao desenvolvimento deste tipo de tumor, mas há um post no blog que lista uma série de links onde você poderá encontrar orientação, é o “Como encontrar boas informações sobre doenças e tratamentos na Internet”. O Anaplásico é um adjetivo:1 Relativo ou pertencente à anaplasia. 2 Caracterizado por anaplasia ou desenvolvimento imperfeito: Células anaplásicas. 3 V anaplástico.

Um oligodendroglioma é um tumor quase tão grave quanto um glioblastoma multiforme, principalmente se ele for de graus 3 ou 4. Em geral, eles respondem um pouco melhor à quimioterapia do que o GBM.

O pessoal que pesquisa o álcool perilico (há um artigo sobre ele no blog) teve alguns bons resultados no tratamento de oligodendrogliomas.


Um abraço.

 
At 13:16, Anonymous Anônimo said...

Oi pessoal. Se o Sr moderador me permitir, gostaria de postar aqui para vocês o caso de minha prima. Ela teve tumor cerebral enorme, aos 16 anos. Foi operada, com sucesso, mas aos 19 novo tumor foi diagnosticado. Somos Cristãos, e cremos que DEUS ainda opera nos dias de hoje. Ela passou a orar a Deus e pedir a solução desse problema, pois não aceitava a recidiva. Novos exames foram realizados, e ela hoje está com 30 anos, completamente saudável. Escrevi isto para dizer a algumas pessoas aqui que estão tristes e sem forças para lutar contra a doença que considerem DEUS. A gene às vezes firma demais os pés no chão, e esquece de olhar para cima. Ele está vendo seu sofrimento, e te AMA. Converse com ele quando tudo o mais não der certo. Obrigado. PS: Meu sogro está agora mesmo internado com dois tumores no cerebro, mas estamos tranquilos. Deus faz a diferença.

 
At 18:20, Anonymous Anônimo said...

Tenho uma irmã que tem tumor meningero o medico diz que nõ á possibilidade de operação sera verdade onde é que eu poderei me deslocvar para saber algo mais

 
At 14:41, Anonymous Anônimo said...

oi sou a sonia e queria vos contar um pouco da minha triste vida á 5 anos atras estava sentada na sala da minha mae quando toca o telefone era o meu irmao paulo entre lagrimas e gritos dizia :O RUI MORREU CAIU DUM 9 ANDAR TEVE MORTE IMEDIATA VENHAM JÁ PRA CÁ: o meu querido irmao rui tinha morrido! nesse momento o mundo pra mim ruiu pois é precisso muito tempo para esquecer a dor de perder um irmao á 3 meses foi me diagnosticado um tumor cerebral intraventricular em agosto 2007 uma semana depois do meu irmao paulo falecer com um tumor cerebral maligno ele deu entrada no hospital de santa maria em novembro 2006 por ter acordado com o lado esquerdo do corpo paralizado um mes depois foi operado tiraram lhe 99% do tumor. estive sempre ao lado dele mas infelizmente no dia 25 de julho 2007 quando ia a caminho do hospital para estar com o meu querido irmao recebo um telefonema pois era do hospital disseram lamentamos mas o seu irmao acaba de falecer.senti uma dor no peito que nao dá para explicar. a vida nao é nada! por isso vamos tentar ser felizes enquanto cá andamos um beijo grande para todos...

 
At 20:45, Anonymous Anônimo said...

qual e o nome do medico que faz esse tipo de cilugia qual o tele fone e onde eu posso achalo fone e contato 3184639830 preciso disso urgente.....

 

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