18.1.06

Licopeno auxilia no tratamento de tumores cerebrais

(Inclui-se na classe das substâncias ainda sem completa comprovação de sua eficácia cientificamente no tratamento de tumores e cânceres.)
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Esta substância é um carotenóide (1) que é encontrado abundantemente no tomate, mas ocorre também em vários outros vegetais de coloração vermelha (inclusive na melancia). Diferentemente de outro carotenóide bastante conhecido, o beta-caroteno (abundante na cenoura), ele não é transformado em Vitamina A, assim, quando ingerido em grandes quantidades não apresenta toxidade para o fígado.

A importância do licopeno para o tratamento de tumores é que ele é um potente antioxidante(8), isto é, ele tem a capacidade de combater os radicais livres, que, acredita-se, são uma das coisas que induzem as alterações do DNA provocando o câncer.

A opinião de que o licopeno poderia ser um aliado no combate ao câncer começou a se desenvolver quando pesquisadores constataram que em países onde o consumo de alimentos ricos licopeno é alto a incidência de vários tipos de câncer era significativamente menor do que em outros paises onde a dieta é muito pobre desta substância. Este tipo de estudo é chamado de epidemiológico e tem o propósito de identificar a distribuição das doenças em diferentes populações e identificar as razões pelas quais elas ocorrem, para desenvolver procedimentos que possam auxiliar no controle dos problemas de saúde.

Em um pequeno estudo clínico (2), envolvendo pacientes com câncer de próstata que iriam se submeter à cirurgia, dois grupos foram criados, um que consumiu licopeno por várias semanas antes da cirurgia e outro que não fez uso da substância. Os resultados apontaram que tanto o tamanho do tumor como a malignidade dele foram reduzidos no grupo submetido ao tratamento com licopeno, em relação ao grupo que não fez uso da substância. Vários estudos recentes têm demonstrado que o licopeno usado isoladamente é capaz de reduzir o PSA, um hormônio produzido exclusivamente pela próstata e que está relacionado à ocorrência de câncer neste órgão.

Num estudo experimental de laboratório (3) os pesquisadores analisaram os efeitos do licopeno e do beta-caroteno sobre células de tumores cerebrais em cultura e sobre tumores cerebrais implantados em ratos. A conclusão foi de que, em ambos os casos, o licopeno apresentou-se como capaz de inibir o crescimento tumoral. Adicionalmente, verificou-se que ele tem um efeito inibitório maior do que o dos retinóides, uma outra classe de substâncias usadas em tratamentos.

Em 2005, no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, foi relatado um estudo (4) com pacientes portadores de câncer cerebral (gliomas) no qual, além do tratamento com radioterapia, os pacientes receberam o medicamento quimioterápico Taxol e 8 mg diárias de licopeno ou um comprimido de placebo (5). Do grupo que recebeu licopeno 80% dos pacientes apresentaram regressões totais ou parciais do tumor, enquanto que no grupo tratado com placebo as regressões foram somente 44%. Ou seja, o licopeno aumentou a eficácia do tratamento significativamente.

Mais um aspecto relevante para o tratamento de tumores cerebrais do tipo glioma é fato de que o mecanismo de ação do licopeno provoca a inibição do fator de crescimento de insulina (IGF), que sabidamente está envolvido com o desenvolvimento da resistência à quimioterapia (quimioresistência) para diferentes tipos de medicamentos (6). Além disto, quando acompanhado de Vitamina D, a ação conjunta do licopeno com esta substância, em alguns tipos de câncer, ajuda a regular o ciclo celular (7).

Como já dito anteriormente, as melhores fontes de licopeno são os vegetais vermelhos. Alguns exemplos:
  • Tomate cru: de 5 a 16 mg em 100 gramas;
  • Tomate processado e produtos derivados: de 3 a 80 mg em 100 gramas;
  • Melancia: de 3 a 6 mg em 100 gramas.

Observação: as concentrações são apresentadas em faixas por que a quantidade de licopeno no alimento pode variar de acordo com as condições de cultivo.

Existem também vários medicamentos a base de licopeno que podem ser encontrados em farmácias no Brasil e no exterior, mas tenha cuidado com relação à procedência. Escolha um laboratório confiável e observe se não há na fórmula mais alguma vitamina que possa se tornar tóxica, caso você vá usar uma alta dosagem.

A maioria dos relatos de estudos clínicos menciona doses que vão de 8 mg até 37 mg por dia. Meu pai fará quimioterapia com temozolamida (Temodal) em seis ciclos de 5 por 28 dias, isto é, tomará o remédio por 5 dias seguidos e descansará por 23, voltando a tomar a partir do vigésimo nono dia e assim por diante. Faremos uso do licopeno da seguinte maneira:

  • Durante o período da quimioterapia, começando dois dias antes, um comprimido de 5 mg de licopeno a cada doze horas, com o objetivo de evitar a quimioresistência;
  • No período de 23 dias de descanso 37 mg de licopeno na forma de 330 ml por dia de suco de tomate, com o objetivo de combater o crescimento tumoral.



Bibliografia e explicações:

1-As substâncias químicas chamadas de carotenóides são pigmentos orgânicos que ocorrem naturalmente nas plantas, dando-lhes as cores características. Alguns carotenóides têm propriedades anticancerígenas, mas apresentam toxidade elevada quando usados em grandes quantidades.


2-Kucuk, O. et al. Phase II randomized clnical trial of lycopene supplementation before radical prostatectomy. Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention, 2001, Vol. 10, 861-868


3-Wang, C.J., et al. Inhibition of growth and development of the transplantable C-6 glioma cells inoculated in rats by retinoids ans carotenoids. Cancer Letters, 1989, 48, 135-142

4-Puri,T., et al., Role of natural lycopene and phytonutrients along with radiotherapy and chemotherapy in high grade gliomas. 2005 meeting of the American Society of Clinical Oncology, Abstract #1561

5-Um placebo é uma substância inerte usada como controle em experiências. O propósito de administrá-lo aos pacientes do grupo de controle é provocar o mesmo “efeito psicológico” que afeta os pacientes que estão tomando o medicamento verdadeiro. É um procedimento padrão em experiências científicas.

6-Karas, M., et al. Lycopene interferes with cell cycle progression and insulin-like growth factor I signaling in mammary cancer cells. Nutrition and Cancer, 2000, Vol. 36, 101-111

7-Amir, H., et al. Lycopene and 1,25-dihydroxyvitamin D3 cooperate in the inhibition of cell cycle progression and induction of differentiation in HL-60 leukemic cells. Nutrition and Cancer, 1999, Vol. 33, 105-112.

8-Deve-se destacar que antioxidantes são substâncias contidas nos alimentos e que reduzem a incidência de câncer. Estudos epidemiológicos evidenciam que Vitamina E, beta-caroteno, selênio e licopeno, todos antioxidantes, estão relacionados à redução do risco de câncer de pulmão, próstata, estomago, lesões pré-cancerosas na boca e do total dos diversos tipos de câncer.

9- Treatment Options for Glioblastoma and other Gliomas - Prepared by Ben A. Williams -August 1, 2005

2 Comments:

At 20:50, Anonymous Laura Rebel said...

Olá!
Eu estava pesquisando sobre câncer cerebral e acabei encontrando o seu blog. Achei muito interessante as pesquisas que você anda fazendo.
Eu comecei a pesquisar sobre o assunto depois que o meu primo da minha idade (16 anos) faceleu. Mas o tumor cerebral dele era diferente do do seu pai. O nome era oligodendroglioma.
Você sabe alguma coisa sobre esse tumor? Eu estou querendo saber qual é a originalidade mas ainda não encontrei em lugar algum.
Vou continuar pesquisando sobre o câncer.. eu estava olhando no orkut, e tem casa comunidade que dá até pena.. =(
Mas é a vida.. eu queria que todos se curassem..
Espero que o seu pai(eh o seu pai, neh?) fique bom logo!
O meu primo vivei por um ano e pouco após a descpberta do tumor.. foi muito difícil para todos da família!
Mas o meu primo morreu mesmo porque ele teve pneumonia e insuficiência respiratória. Com o sistema imunológico em baixa como ele estava, ele não conseguiu resistir. Foi pertinho do Natal! No dia 29 de dezembro de 2005..
Mas a história do seu pai parece tomar um rumo diferente, pq em momento algum o meu primo obteve melhoras em relação ao tratamento. Ia soh piorando. Chegou a ficar incoma por 1 mês! E depois desse 1 mês ele perdeu tudo! Tava todo paralisado.. eh mt triste! Mas faz parte da vida! Também existem muitas pessoas que chegam à cura!
Mas então eh isso.. resolvi deixar um comentário no seu blog pq o achei interessante! É sempre bom passar adiante as informações.
Pra qualquer coisa, se precisar, o meu e-mail é laurinha_rebel@hotmail.com
Bjus** e boa sorte!

 
At 21:51, Blogger Miguel Francisco said...

Olá Laura

Obrigado pelos elogios ao Blog.

Lamento muito pelo ocorrido com seu primo. Quando acontece com alguém de apenas 16 anos, certamente, é muito mais traumático do que qualquer coisa que puder vir a acontecer com meu pai, que já tem 70.

O oligodendroglioma é um tumor que se desenvolve em um tipo específico de célula da Glia, os oligodendrócitos, como o próprio nome já diz, ele também é um Glioma, assim como o Glioblastoma. Sei pouco sobre as razões que levam ao desenvolvimento deste tipo de tumor, mas há um post no blog que lista uma série de links onde você poderá encontrar orientação, é o “Como encontrar boas informações sobre doenças e tratamentos na Internet”.

Não sei quanto ao tipo de tumor que seu primo teve, mas a sobrevida dele (O meu primo viveu por um ano e pouco) não é muito diferente do que se espera para tumores cerebrais de Grau 4. No Glioblastoma a sobrevivência mediana é de 11,9 meses.

Agradeço seus desejos de melhora para o meu pai, mas sabemos que, apesar de termos vencido as batalhas até agora, a guerra será longa e difícil de vencer. Nós estamos preparados, para as batalhas que virão e para tudo o que puder acontecer.


Muito obrigado.

 

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